Empatia e seu incrível poder

Você já ouviu falar em empatia?

O que há alguns anos era um conceito de senso comum, acadêmicos passaram a dedicar-se a estudar, e os efeitos para si e para o outro nas relações já são fatos.

Empatia, do grego Empatheia. Surgiu da fusão de duas palavras gregas, com seus respectivos significados:

Em – En – Para dentro.

Pathos – Sentimento, Emoção.

A empatia está ligada à capacidade do ser humano de colocar-se no lugar do outro, de forma respeitosa, apoiando o outro como se ele próprio estivesse nessa situação. É um tipo de aprendizado cognitivo e emocional, desenvolvido por uma série de fatores. Não há julgamentos de valores e o foco é na pessoa.

Embora o termo seja semelhante, a simpatia possui um sentido distinto, estando esta ligada a entender o problema do outro, mostrando afeto, desde que seus valores se coincidam com os valores do outro. É espontânea e foca na solução.

A apatia distingue-se dos dois conceitos acima relacionados, pois trata do não sentir emoção diante do estímulo, não ter sentimento em relação ao outro.

Por quê a Empatia é “mágica”?

A empatia é uma competência desenvolvida que desperta em si e no outro um conforto e uma identificação das partes envolvidas, gerando prazer na relação.

Ela não é mágica em si, afinal, é complexa e de difícil exercício, mas utilizo desse termo por seus efeitos serem surpreendentes e de grandes proporções.

Ao estabelecer um contato genuíno, empático, é imediata a formação de um forte laço de confiança, e, desta forma, a possibilidade de troca.

Levando isso para nossas relações, podemos pensar na relação mãe-filho no contexto educacional, por exemplo. Ao conversar com seu filho sobre algum assunto sério, os resultados são melhores quando há empatia, a criança parece ouvir mesmo sem ter idade para entender a situação. Utilizar da autoridade (falar mais alto, impor a questão da idade, falar de cima para baixo, utilizar do saber-poder, não explicar, não ouvir), provoca resistência e temor. Utilizar a empatia na educação promove o aprendizado, a escuta, a negociação, a afabilidade, compreensão.

Lembrando que a empatia não é um personagem, “vou me vestir de empático para conseguir o que quero”, mas um sentimento / comportamento autêntico.

Vivemos constantemente em contato com tantas outras pessoas, inclusive os meios de comunicação propiciam que essa rede de contatos se mantenha ampliada, e a empatia seria um importante agente no estabelecimento de relacionamentos saudáveis, de trocas e aprendizado.

O que há por trás

Na psicologia, o teórico humanista Carl Rogers fundamentou seu conceito de relação terapeuta x cliente por meio da empatia (bem diferente do que Freud chamou de transferência).

A empatia é um processo com várias etapas e elementos, que incluem duas componentes, uma cognitiva e outra emocional (Bohart et al., 2002, citado por Cormier et al., 2009), sendo que a primeira tem como princípio a compreensão intelectual e racional do cliente, e a segunda diz respeito à capacidade do terapeuta identificar os sentimentos, as emoções e as experiências afetivas do cliente (Cormier et al., 2009).

Quando se analisa a empatia numa perspectiva neurofisiológica, verifica-se que esta se pode originar de duas formas diferentes: num processo sub-cortical rápido e reflexivo (em que a informação sensorial é enviada para o tálamo e depois para a amígdala, para se providenciar uma resposta) – que corresponde à empatia emocional; ou num processo cortical mais lento (em que a informação sensorial é enviada para o tálamo, depois para o córtex e apenas depois para a amígdala, a qual providencia a resposta) – que diz respeito à empatia cognitiva (Preston e de Waal, 2002).

O que eu tenho com isso?

A empatia é uma competência que favorece nas relações pessoais e profissionais, estabelecendo fortes laços de confiança, e construindo relacionamentos saudáveis, até mesmo com o princípio “ganha-ganha”.

Você sente-se bem em se sentir acolhido, apoiado, e o outro sente o mesmo quando você exerce a competência.

Citei o exemplo do âmbito educacional, na relação pai-filho, mas a empatia também é um ponto chave na relação conjugal, escolar, profissional, com inúmeros exemplos de sucesso.

 

“A comunicação ou entendimento dos gestos é dada pela reciprocidade da minha própria intenção nas ações dos outros”

Merleau Ponty

Referências:

CORMIER et al, S. Interviewing and change strategies for helpers: Fundamental Skills and Cognitive Behavioral Interventions. Australia: Thompson Brooks, 2009.

PRESTON, S. D.; DE WAAL, F. B. M. Empathy: Its ultimate and proximate bases. Behavioral and Brain Sciences, V.25, P.1-72, 2002.

WONDRA,Joshua D.; ELLSWORTH, Phoebe C. An Appraisal Theory of Empathy and Other Vicarious Emotional Experiences.  Psychological Review – American Psychological Association. V. 122, N. 3, P. 411– 428. 2015.

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