Por que é difícil manter a rotina de atividade física?

Se você já se matriculou na academia diversas vezes, comprou e vendeu sua bicicleta, iniciou caminhada, mas se vê como uma pessoa sedentária, você já sabe que não é a única, inclusive deve conhecer pessoas com essa mesma queixa, de sempre começarem uma atividade física. O coaching pode ser um excelente aliado para aderência à atividade física.

Mas o que acontece que dificulta tanto a atividade física como algo comum à rotina, como comer, tomar banho ou escovar os cabelos?

A sensação é que temos a faca e o queijo, sabemos exatamente o que e como fazer. E mesmo assim, a esteira está na varanda criando teias de aranha, não houve o segundo mês de academia, a sapatilha de balé está com a etiqueta, e não houve mais caminhada depois de uma semana de chuva (está o maior sol hoje). Falta algo.

Qual o sentido da atividade física para você?

Esse deve ser o ponto de partida, saber qual é o sentido de praticar uma atividade. Seja por questões estéticas, para prevenir ou tratar questões de saúde, ou pelo próprio gosto pela prática do esporte, é importante que você responda a essa pergunta.

Comecei a praticar esportes ainda na infância, pois meus pais me obrigavam a praticar atividades extracurriculares para meu desenvolvimento social e cognitivo (na ocasião eu não entendia isso ainda), ingressando de início para o time de Vôlei da escola. Foi dessa ocasião que adquiri gosto forte pela leitura, pois ia para a escola à tarde treinar, mas ficava na biblioteca deitada no chão da sala de leitura com os livros mais legais do mundo. Mudei de escola, mudei de esporte para o Handebol, e meu pai passou a me levar e me buscar nos treinos . Aquilo para mim era horrível, eu gostava muito da equipe, mas odiava estar ali, não gostava de treinar, muito menos de ir competir. Eu sabia da minha falta de habilidade, mas não tinha o menor desejo em evoluir tecnicamente, e tinha vergonha de não ter nem de longe a habilidade que meus colegas tinham. Abandonei a equipe no início do torneio municipal.

O esporte atravessa minha infância, mas não fazia sentido para mim, pelo menos nesse contexto. Nessa época, o que eu gostava era de brincar na rua, descalça, eu organizava os torneios contra os meninos das outras ruas, eu conhecia todas as regras de vôlei e “treinava” os guris da rua que eu morava. Mas era tudo diversão, e não tinha o rigor da obrigatoriedade, era meu lazer, onde eu não tinha cobranças.

A atividade física ganhou outro sentido para mim em 2010, quando comecei a praticar corrida de rua, e descobri (após inflamação nos dois joelhos, fui orientada por um ortopedista/médico do esporte) que precisaria fazer musculação, para ter condições de correr, por uma fragilidade própria da minha estrutura. E pela musculação me apaixonei. O sentido do esporte era relaxar das tensões do cotidiano, trabalho, estudos. A corrida de rua foi um desafio de mim para mim, pois reconhecia minha limitação física e queria ultrapassá-la – também achava bacana correr no calçadão da praia, de manhã cedo, contemplando as belezas naturais desse meu lindo Espírito Santo.

Evoluí naturalmente na musculação, deixando a corrida em segundo plano, e muita gente me incentivava a competir, pois estava em totais condições físicas para uma categoria de fisiculturismo. As condições financeiras e as prioridades acadêmicas foram barreiras que não me dispus a ultrapassar para competir, mas não deixei de praticar o esporte. Quanto à corrida, participei da minha primeira prova esse ano (já corria, mas nunca paguei inscrição), em junho ou julho, e fui a primeira colocada em minha categoria. Continuo correndo uma vez na semana, mas não me inscrevi em outras provas.

Note quantos sentidos o esporte já teve para mim. Há dois meses comecei a praticar jiu-jitsu. É um esporte que acompanho pela TV, e eu via a união da equipe saindo e chegando na academia, e achava muito bonito aquele clima. A musculação e a corrida são esportes solitários, e eu sentia falta dessa interação. Com a arte marcial, o esporte ganha outro sentido, social.

Qual a prioridade da atividade física em relação aos outros afazeres?

48971511O tempo é curto na sociedade pós-moderna que vivemos, é tudo para ontem (vide Bauman). Não é incomum que a dedicação ao esporte fique para “a hora que sobrar tempo”, e quem tem esse tempo sobrando?

Quem deixa para fazer algo quando sobrar tempo, termina por não fazer, ou a não dedicar o tempo necessário para alcançar o objetivo.

A questão é definir prioridade, colocar a atividade física como uma das atividades semanais, e cumprir com o planejamento.

Você planeja sua agenda profissional. E sua agenda de atividade física?

Sim, é muito importante definir a atividade, o local, o horário, e os recursos necessários. Isso é planejamento, e da mesma forma que planejamos nosso trabalho, temos que ter o plano B para o dia de engarrafamento ou fortes chuvas – enfrentamos esses contratempos e vamos mesmo assim trabalhar, mas por empecilhos muito menores deixamos de ir praticar exercícios físicos.

physical-exercisePrioridade e planejamento falam alto aqui. Se você estabeleceu o exercício físico como prioridade para se chegar em determinado lugar, faça como você faz no trabalho e se organize para isso. Torne possível, consuma mais energia pensando nas possibilidades do que nas desculpas.

Por que tratamos a atividade física de forma diferente das outras rotinas e afazeres?

Aprendemos com nossos pais o orgulho por trabalhar. Como diz o ditado: “O trabalho enobrece o homem”. E também: “Deus ajuda quem cedo madruga”. Além da herança de nossos pais e avós, temos uma cobrança gigantesca de nossa geração em ter realização com o trabalho, gostar tanto do trabalho que até esquecer que trata-se dessa posição.

Eu sou da geração que precisa dedicar-se fortemente ao trabalho, mais do que a própria pessoa (não sou geração Y).

Tratamos a atividade física de forma diferente das outras rotinas, pois apenas recentemente começamos a incluir exercícios como meio efetivo de proteção à saúde (até mesmo atualmente vemos o conceito de saúde muito associado a contrário de doença). Até então, exercitar-se era muito visto como futilidade.

Ninguém quer ser fútil, portanto prioriza-se mais rotinas “sérias”, e vamos levando isso ao longo de nossa história.

Pense bem, quanto tempo de sua semana você dedica a si e sua qualidade de vida? Um dia tem 24 horas, uma semana tem 168 horas. Quanto tempo é suficiente para você mesmo?

É possível ter prazer na atividade física?

Se a atividade física não representa essencialmente uma atividade prazerosa, é interessante que busque esse alinhamento. A caminhada/pedalada é monótona, mas comophysical-exercise torná-la agradável? Áudiobook ou mp3 player/Spotify podem ajudar? Ou se a caminhada/pedalada na esteira ou bicicleta ergométrica for mais interessante,
fazê-la durante o programa de TV favorito, ou vendo um bom filme ou série, poderia tornar a atividade mais atraente?

Para quem prefere contato com outras pessoas, talvez seja interessante buscar atividades coletivas – grupo de corrida, artes marciais, dança.

É possível tornar a atividade física atraente, alinhando ela a algo que se goste muito, música, livro, filme, poesia. Assim, será mais fácil garantir a aderência à rotina de exercícios.

Temos a faca e o queijo, sabemos o que e como fazer, mas não conseguimos. Neste caso, procure um coach que te apoie para alcançar sua meta.

stock-running-fit-app
Se você tem uma meta relacionada ao Esporte, você pode encontrar com o Coaching o melhor de si para torná-la realidade.

Um comentário em “Por que é difícil manter a rotina de atividade física?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s