Uma pergunta recorrente tanto no consultório quanto nas relações diárias é aquela “isso é normal?”
Em resposta a essa pergunta, faço outras perguntas como “isso te faz bem? Te faz mal?”.
O que é importante, como a pessoa lida com um problema ou situação que para a família ou sociedade é inadmissível.
Por exemplo, em uma sociedade que em que a exigência pelo corpo perfeito é um fato, uma mulher jovem com o corpo acima do peso padrão (e apenas pouco acima do IMC saudável), e que não dispensa muita energia para emagrecer, é vítima de questionamentos e julgamentos diversos, desde o triste “tadinha”, como se ela fosse vítima, até o “também, não se cuida, é relaxo”.
Mas e se observar o que ali no contexto daquela jovem mulher faz bem ou faz mal, o que é possível ver?
O cuidado individual é muito importante e é algo que o psicólogo deve observar. Nesse caso, ela se cuidava, usava roupas bonitas, maquiagem, cabelos arrumados, e asseio em geral.
O que a mutilava era ter que fazer dieta, visto que seu tempo era altamente calculado. Além disso, o que a potencializava era a sua relação com uma boa comida (e não qualquer comida).
Ela era feliz consigo própria, com seu corpo gordo para os padrões sociais, e só queria parar de ouvir sussurros a respeito disso.
Vamos pensar um pouco nesse sentido tanto em relação ao outro quanto em relação a nós mesmos. Me faz bem ou me faz mal? Mas faz bem ou mal a alguém envolvido? Pois para compor uma relação ética e saudável precisa fazer bem a si próprio mas não fazer mal a outros atores.
E olhem só como essa pergunta cabe em inúmeras situações.
Emprego: tenho o trabalho dos meus sonhos, mas por ele tomar minhas noites e fins de semana, meus filhos estão com problema é meu marido quer o divórcio. O emprego faz bem ou mal? Não dá pra saber! E a relação com o filhos, faz bem ou mal? E a relação com o marido, na mesma linha, faz bem ou mal?
Não há uma resposta em si, depende dos objetivos, metas, prioridades, histórico, e de como se cruzam os nós da vida.
Portanto, não existe uma resposta universal para o que faz bem ou faz mal. O mesmo que faz bem a mim, pode não fazer a você. O que faz bem a mim pode ter uma consequência que faz mal ao outro, e assim não representa uma relação potente.
Uma coisa afirmo: é impossível olhar um aspecto isolado.
Complicado, não?
E essa complicação leva as pessoas à terapia. Muitas vezes não para de complicar, mas para conviver melhor com a complexidade das relações, e estabelecer relações potentes.
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