O receio do início da terapia

Não é estranho as pessoas sentirem receio de marcar uma primeira consulta com um psicólogo, ou sentirem certa aflição desde o agendamento à data da consulta, ainda que reconheçam a necessidade de um apoio deste profissional.

Esse comportamento é natural devido a própria natureza da relação terapêutica, em que o cliente precisa expor assuntos que talvez nunca tenha aberto a ninguém do seu círculo de relacionamento.

Outro fator desse receio ou aflição está ligado a visão que a sociedade possui das pessoas que frequentam o consultório do profissional de psicologia, ou que já fizeram terapia alguma vez na vida: o louco (loucura é tratar do conceito de loucura desde o século XVIII e avançar a passos tão lentos para quebrar com a imagem do doido), ou o que não deu conta da própria vida. E não damos conta de tudo mesmo! Há perdas, mudanças, doenças e transtornos em nossas vidas, e raro passarmos sozinhos por alguns fatores – alguns varrem para debaixo do tapete e ignoram, mas não elaboram.

Há ainda aqueles que vêem o profissional de psicologia como o “amigo da madame”, sim (infelizmente) já ouvi isso.

Vamos lá, o profissional de psicologia não é aquele que ouve, é o que exercita escuta apurada e análise. Psicólogo não é amigo do seu cliente, é um profissional que possui discernimento dos limites da relação terapêutica (vide código de ética da categoria).

Quanto ao louco, o psicólogo não é aquele que promove sua cura, mas aquele que direciona a pessoa com transtornos mentais a produzir sua vida e rotina vivendo em sociedade e a aderir aos tratamentos que forem necessárias para isso (psiquiátrico, fonoaudiológico, fisiiterapeutico, etc).

Quanto aos assuntos abordados em contexto de terapia, sim, há assuntos nunca antes expostos a ninguém, e sim, muitas análises são produzidas, muita coisa é descoberta, a idéia é essa mesma. Mas cito novamente o Código de Ética da categoria, que implica em sigilo e profissionalismo. Além disso, o psicólogo que atua de forma ética não realiza julgamentos.

O cliente pode não saber por onde começar. Nessa parte, é papel do terapeuta conduzir o caminho da terapia, desde que o cliente participe e siga junto.

Bom, como as vezes me pedem dicas, segue alguns pontos:
– O psicólogo vai explorar com o cliente apenas até onde o mesmo está pronto para elaborar e avançar.
– É importante que o cliente seja espontâneo e sempre diga a verdade. A terapia é dele, e não de um personagem.
– O resultado da terapia depende fortemente do investimento do cliente, tanto quanto das técnicas e teorias do terapeuta.
– Estabeleça uma relação de confiança. Se o cliente não confia no terapeuta, e se o psicólogo se sente desmotivado por sentir que o cliente não investe na terapia, é importante a relação seja interrompida, pois não haverá resultado positivo.
– É importante que o cliente saiba o que o motivo a buscar terapia, e avalie seus resultados.
– O resultado da terapia não é imediato, e não será observado após a primeira sessão.

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Um comentário em “O receio do início da terapia

  1. Perfeito! Fiz um texto na faculdade uma vez, muito parecido com o seu, para minha matéria de Psicologia Comportamental. Se todo mundo lesse seu texto, seria tão perfeito!!! Futuramente vou falar mais da psicoterapia, e vou linkar com esse post. Um grande abraço.

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