Pode ser difícil envelhecer, e em qualquer idade.
Isso porque envelhecer tem como consequência natural a perda de algumas possibilidades, seja por fatores impeditivos de características sociais, biológicas, físicas, dentre outras.
O pré-adolescente pode sentir o fato de não poder mais brincar de hot wheels, porque seus colegas podem rir dele. O adulto pode sentir falta do período da adolescência em que não tinha o compromisso financeiro de todos os dias dedicar-se a uma ocupação remunerada. O idoso pode sentir falta de todos os itens anteriores, e ainda da mobilidade do ir e vir, ora dificultado pela mobilidade já restrita a depender da idade.
O fato é que em qualquer idade há dificuldades em envelhecer, mas a vida ainda pode oferecer seus prazeres.
Observo muito meus avós, já com oitenta anos de idade, quase sessenta anos de casados. A vida torna-se, de fato, muito difícil para eles. Já não podem ir de ônibus para qualquer lugar, tampouco dirigir. A audição já não é a mesma, e as funções motoras já dificultam que meu avô dance o forró pelo qual ele é apaixonado. Minha avó, sempre tão caprichosa e prendada, não consegue fazer seu ponto cruz, nem dar a faxina que ela amava fazer.
É necessário adaptar-se às limitações, reconhecer o envelhecimento, e acima de tudo, descobrir prazeres na vida enquanto há vida, em cada uma de suas etapas. Esses prazeres podem ser coisas novas, paixões antigas, a conclusão de algo que ficara pendente. Mas a abertura da pessoa para isso é fundamental.
Pessoas idosas também vivem, sonham, realizam, ainda que encontrem dificuldades. Aliás, sonhar e viver expectativas são grandes combustíveis que impulsionam a pessoa. Mas, pensando como família, sei que abordar algumas coisas são muito delicadas no cotidiano de um idoso, lidar com adoecimento, altos custos [junto à baixa remuneração do aposentado], o temperamento difícil em alguns momentos, a higiene.
E a família tem responsabilidades delicadas e importantes ao mesmo tempo. Estar por perto, oferecer suporte, e ter paciência [basante paciência!], é o que eu destaco. Ouvir a mesma história pela milésima vez, os mesmos conselhos,proporcionar bons momentos ou realização de sonhos [eu levei a vovó para andar de avião, que era um sonho antigo]. Mas também é papel da família aconselhar, conversar sobre o próprio envelhecer, trabalhar pela acessibilidade, acompanhar o familiar idoso a lugares onde antes ele tinha condições de ir sozinho, apresentar as armadilhas do mundo moderno, organizar momentos de diversão, etc.
Também é difícil para o familiar ver seus pais ou avós envelhecendo, é um desafio ver seus entes perdendo algumas capacidades. Em vários momentos, não se sabe o que fazer ou como lidar.
Nesses momento, buscar ajuda é o melhor caminho. Um nutricionista pode indicar uma dieta equilibrada conforme as patologias apareçam, um médico geriatra avalia todo o processo de envelhecimento, adoecimento e prevenção [às vezes podemos ter dúvidas se aquele esquecimento é normal ou sinal de Alzheimer], um psicólogo pode conduzir na percepção de si e da vida mesmo com as limitações desenvolvidas.
