Ser mulher

Ser mulher nos dias atuais parece mais fácil? Temos direito ao voto, acesso ao mercado de trabalho, educação, e isso é para continuar a se alegrar sim.

A pauta, no entanto, continua tendo a mesma finalidade, a conquista de respeito em qualquer condição que seja, e esse respeito está em todo o lugar. Deste ângulo, destaco que ainda há muito a percorrer.

É preciso reconhecer que a violência ainda marca o corpo da mulher, e não deve sair de pauta. O corpo é violentado quando é reduzido a objeto doméstico ou sexual. E toda essa expressão de violência está encrostada em nossa pele, em nossos órgãos, em nossos músculos, sendo eventualmente reproduzido por nossas cordas vocais.

Um dia desses fui questionada da seguinte forma: se a mulher lutou por tanto tempo a sua liberdade, por quê agora que ela pode escolher dançar seu funk e se colocar naquele personagem que “senta”, que “agacha”, ainda não está bom? Paralisei todos os músculos da minha face imediatamente para tentar encontrar as palavras certas e dizer que quando a mulher tem seu corpo objetificado e desrespeitado não quer dizer que ela está expressando amor próprio [longe disso], mas encontrando lugar onde seu corpo possui espaço em nossa sociedade, e que este espaço ainda está muito distante de um lugar empoderador.

Nós mulheres somos emissoras de discursos machistas, não sejamos ingênuos de colocar o machismo como sendo sinônimo de masculino. Há gerações mães ensinam filhas a servirem seus esposos cuidando de todas as rotinas da casa, e não para encolher as possibilidades femininas, mas porque há várias gerações este é o lugar social da mulher. Cozinha bem? Já pode casar.

E não digo isso para a reprodução de culpa, mas para entendermos que a emissão e a reprodução destes discursos esta em todo lugar, e por isso os esforços em impor respeito e não se mutilar por estes discursos devem ser imensos, além dos cuidados em não reproduzir essas falas.

Aliás, a reprodução de culpa e autoflagelação é outra consequência do discurso machista em relação a mulher, que vive a culpa por nunca atender à demanda social em relação ao seu papel. Culpas relacionadas ao serviço doméstico, aos cuidados com o marido [e atendimento às necessidades sexuais do mesmo], ao desenvolvimento profissional, à estética do corpo, etc.

Se nós mulheres já conquistamos muito, ainda precisamos encarar grandes batalhas contra os conceitos entranhados em nossa sociedade.

Meu convite está em se respeitar enquanto mulher.

 

28-02-2018

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