Um grande equívoco de muita gente, gestores e colaboradores, é achar que a motivação deve vir de fora, da empresa, das relações. O reconhecimento vem do outro, mas a motivação parte de nós, e nos ajuda a direcionar-nos.
Vernon (1973) cita que a motivação é uma força interna que regula nossas ações.
Lieury & Fenouillet (2000) mencionam que a motivação é constituída tanto de fatores biológicos quanto psicológicos que impulsionam as nossas ações.
Sempre teremos nossas necessidades e desejos, e é saudáveis que tenhamos. Mas a partir do momento que “terceirizamos” as realizações destes, estamos assinando um contrato de frustração. Por quê o outro irá dispor energia para suprir nossas necessidades e desejos (a não ser que sejamos crianças e nossos pais tenham a responsabilidade em prover-nos)?
Ouço muito no meio corporativo colaboradores frustrados por a empresa não investir suas energia para a sua motivação.
Vamos esclarecer as coisas: a não ser que a empresa seja do ramo de Recursos Humanos, o negócio da empresa não será a motivação do colaborador.
Os setores de Recursos Humanos trabalham arduamente para obter o reconhecimento dos profissionais nas empresas, desenvolvimento dos mesmos, avaliação e controle de indicadores, manutenção de um ambiente salubre. A motivação é pessoal e mutável, não há como acompanhar a motivação de cada colaborador a qualquer tempo. Se uma empresa tem dez colaboradores, falamos da motivação de dez pessoas, que podem mudar em um ano, e ainda do lucro da empresa. E se falarmos de uma empresa de mil ou cinco mil pessoas?
Então vamos pensar:
- Estou onde eu quero estar?
- Faço o que me proponho a fazer?
- Quero ser desafiado? Estou sendo?
- Busco um contexto agitado ou pacato? E em que contexto me insiro hoje?
- Minha remuneração é suficiente? Minha remuneração está compatível com o mercado? Preciso de atividades outras para obter uma renda extra?
- Gosto de estudar? Preciso de estudar? Quero estudar?
- Naquilo que me qualifiquei, estou exercendo os conhecimentos adquiridos? Desejo exercer tais conhecimentos?
- O que me proponho a fazer, faço bem? Faço o melhor que posso? Faço para cumprir? Faço sem vontade?
- Tenho oportunidade de fazer tudo o que gostaria? Um dia terei? Consigo criar essa oportunidade dentro ou fora do ambiente corporativo? Vale esperar?
- A empresa está criando condições?
E posso propor outras quinhentas perguntas, mas cada um pode conduzir as suas, e perceber que minha motivação não está nem deve ser gerida pelo outro, mas por mim, que tomo as rédeas da minha vida e exerço minhas escolhas.
Podemos encarregar até mesmo nossa mãe para gerir nossa motivação, e mesmo ela conseguirá frustrar-nos, pois em certo momento ela poderá agir conforme os conceitos dela, querendo nos proteger, ou desviar de alguns caminhos que ela julgar não ser bom para nós.
O papel do outro se limita a criar condições. Nós gerimos nosso relacionamento com o outro. E devemos gerir também nossa motivação.
Vamos nos responsabilizar e agir. Criar metas, ações. Sejamos realistas. Sejamos idealistas.

Que perfeita a sua colocação!
Há se todos pudessem ler esse texto, iria ajudar tantas empresas e os proprios colaboradores.
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